Teciteca & Teci é o primeiro Museu do Tecido do Brasil, com um acervo de obras de arte têxteis criadas em parceria com artistas, criadores e produtores nacionais e internacionais.
Esta iniciativa, fomentada pelo CNPq, garante o acesso gratuito à uma vasta gama de conteúdos para criadores das mais diversas áreas da indústria criativa.

Conheça nossas criações e exposições artísticas!

1. Série "Lupa": a Série Lupa foi idealizada a partir de uma experiência cotidiana - coar café no coador. Bárbara, a artista, viu o formato da base dos coadores de plástico e se lembrou de uma lupa, intrumento utilizado para observar pequenos seres e objetos. Assim surgiu a ideia de se criar uma série de obras baseadas em diferentes usos deste instrumento científico e de investigação, unindo a criatividade à ciência.
1.1 Materiais Fixos: presentes em todas as peças desta coleção.
a. Base dos coadores: plástico preto.
Base de coador de plástico

1.2 Materiais Variáveis: presentes em todas as peças desta coleção, mas em formatos, cores, texturas e tamanhos diferentes.
a. Tecidos: naturais, sintéticos e mistos.

2. Autorrefração: na primeira obra da Série Lupa, intitulada Autorrefração, a artista parte da imagem de uma casa, figura recorrente nos testes de autorrefração utilizados na oftalmologia para avaliar a nitidez da visão. Deslocada de seu contexto clínico, a imagem deixa de ser apenas um marcador de acuidade visual para tornar-se símbolo de memória, pertencimento e identidade. A casa representa aquilo que reconhecemos à distância, mas também aquilo que precisa ser observado com atenção para revelar suas múltiplas camadas de significado (família, união, relacionamentos e responsabilidades).
Ao combinar referências da ciência, do design e da experiência doméstica, a obra propõe uma reflexão sobre os diferentes modos de ver. A visão, aqui, ultrapassa sua dimensão fisiológica e transforma-se em uma metáfora para a percepção crítica, a investigação e a construção do conhecimento. A lupa deixa de ampliar apenas formas e objetos: amplia perspectivas, convida o observador a questionar o que considera familiar e evidencia que todo processo de descoberta começa com um olhar atento e cuidadoso.
2.1 Técnica: colagem em tecido, desenho à mão de detalhes com caneta com tinta para tecido na cor preta e pintura com tinta para tecido.
a. Materiais: base de tecido natural (100% algodão azul claro) e componentes de tecidos sintéticos e mistos variados (cores branca, rosa, verde e bege); cola para tecido; caneta para tecido (cor preta); tinta para tecido (cor Azul Turquesa Acrilex e Clareador Acrilex).
Autorrefração
Fonte: Acervo da Teciteca & Teci, julho de 2026.

1. Série "Flor e Ser": a série Flor e Ser nasce da reflexão sobre o verbo florescer, compreendido não apenas como o desabrochar de uma flor, mas como um processo contínuo de transformação, amadurecimento e pertencimento. Seu título constitui uma paronomásia ao aplicar as palavras flor e ser no sentido de florescer, aproximando o desenvolvimento da natureza ao desenvolvimento humano e vice-versa. Assim como uma flor depende do tempo, do cuidado e das condições do ambiente para florescer, o ser humano também constrói sua identidade em relação ao mundo que o cerca. A série propõe uma visão integrada entre humanidade e natureza, em que ambos coexistem, aprendem e evoluem mutuamente. Por meio do bordado, símbolo de tempo, delicadeza e construção, as obras convidam o público a refletir sobre o florescimento como um exercício permanente de cuidado consigo, com o outro e com o meio ambiente, reconhecendo que preservar a natureza é também preservar aquilo que nos constitui como seres e nos dá a vida.
1.1 Materiais Fixos: presentes em todas as peças desta coleção.
a. Base dos bordados: algodão cru.
1.2 Materiais Variáveis: presentes em todas as peças desta coleção, mas em formatos, cores, texturas e tamanhos diferentes.
a. Linhas: linhas Rubi Brilhante 100% algodão.

2. Bem me Quer: à primeira vista, a obra apresenta uma margarida em processo de construção. Metade de suas pétalas foi preenchida por um delicado bordado em relevo; a outra metade permanece apenas sugerida pelo traço do fio. A imagem remete imediatamente à antiga brincadeira popular de arrancar pétalas enquanto se alternam as frases "bem me quer" e "mal me quer", tradição de origem francesa (effeuiller la marguerite), em que a última pétala revelaria o destino de um amor.
Nesta obra, porém, o gesto é interrompido antes do desfecho. Não há a última pétala, nem uma resposta definitiva. O bordado permanece inacabado porque desloca o sentido da brincadeira: em vez de buscar uma confirmação externa, escolhe permanecer continuamente no "bem me quer".
O inacabado deixa de representar ausência para tornar-se possibilidade. Assim como a própria vida, a obra nunca alcança um estado absoluto de conclusão. Cada novo dia exige que o afeto, o cuidado e a esperança sejam novamente tecidos, ponto a ponto, em um exercício permanente de reconstrução. O amor deixa de ser um veredito determinado pelo acaso para transformar-se em uma prática cotidiana, cultivada na relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo.
O bordado, tradicionalmente associado ao tempo, à paciência e ao cuidado, reforça essa ideia de continuidade. Cada ponto registra um instante de dedicação, enquanto o espaço ainda vazio convida o observador a imaginar aquilo que permanece por fazer. A obra não celebra a perfeição, mas a permanência do desejo de construir.
Mais do que uma flor incompleta, Bem me Quer é uma metáfora sobre o processo humano de existir: estamos sempre em elaboração. Assim como o bordado que nunca se encerra completamente, o bem-querer também não se conclui; renova-se continuamente, como um estado de espírito que escolhemos cultivar ao longo da vida.
2.1 Técnica: bordado em tecido.
a. Materiais: base de tecido natural (100% algodão cru) e linhas Rubi Brilhante (branca, verde e laranja).
Bordado Bem me Quer
Bordado "Bem me Quer".
Bolsa "Bem me Quer"Ecobag "Bem me Quer".

Fonte: Acervo da Teciteca & Teci, agosto de 2026.